13 de ago. de 2012

observando


    Observando as pessoas passarem rápido, sempre mais atrasadas que o coelho branco. Correndo, voando, fugindo. Ninguém presta atenção no que há no caminho, acham que já o conhecem como a palma da mão pelo simples fato de passarem por ele todo dia, mas ninguém o vê realmente. Mas e de onde surgiu esta casa ai? E essa arvore, desde quando começou a nascer? Tenho a impressão que conheço essa pessoa, de onde será? Cada um preso em seu próprio caminho, preocupado com seu mundo particular, esbarrando em pessoas, pedindo desculpas no automático sem nem olhar no rosto. Detalhes são desnecessários, se o caminho me leva ao meu destino já está mais do que perfeito, não preciso saber quantas casas há nele, quantas arvores ou até mesmo se tem alguém que passa por ele todo dia igual a mim. Nada importa nessa vida tão corrida, que não dá tempo de olhar pros lados, esperar na calçada, respirar um minuto. Vou correndo, vou voando, quanto antes chegar mais cedo volto pra casa. 
    Mas de repente... Não dava tempo de olhar para o lado, já estava atrasado, não vi o que vinha na outra esquina e agora estou aqui estirado no asfalto, sentindo uma grande dor, as pessoas passam olhando, curiosas, mas não me veem, estão com pressa, não há tempo pra saber mais sobre o que aconteceu. O motorista parou, chamou socorro, mas não se ficou de longe se explicando pra um ou outro curioso, todos olham de longe o distraído que atravessou a rua antes do sinal fechar e agora está ai, atrapalhando o transito e as pessoas que tinham muita coisa pra fazer e vão se atrasar. Permaneço aqui, sentindo a dor pelo corpo, ouvindo murmúrios de indignação pelo atraso que causei, esperando o socorro e observando quem passa com muita pressa e sequer me nota ali. Começo a prestar atenção em toda a pressa, toda a correria. Agora eu sei que não há motivos pra correr tanto, a pressa pode custar caro. Vamos com cuidado, apreciando o caminho. Empregos, carros, salários, pessoas, tudo passa, mas o caminho, mesmo depois de muito tempo, ainda poderá ser visitado e relembrado.

2 comentários:

Thiagorocha disse...

Infelizmente o mundo ta assim hoje. Cada vez menos tempos e mais coisas para se fazer. Eu ainda tenho o "privilégio" de morar em uma cidade ainda pequena que em alguns momentos temos esse "tempo" de admirar as coisas pelo caminho . Mas numa metrópole isso é impossível.

Anônimo disse...

Adorei esse post,me fez parar pra pensar no lado da pessoa que está lá jogada,sem nem ao menos uma pessoa para literalmente olhar por ela.

Sou sempre a que reclama do trânsito infinito que se forma quando acontece um acidente,já tenho que enfrentar uma viagem gigante diariamente,um acidente só piora mas nunca penso na vítima,me coloco no lugar de vítima e esqueço quem realmente está sofrendo.

Mas quanto a olhar o caminho,eu adoro,ouvindo música então,é como se fizesse uma trilha sonora pra cada lugar (são poucos no caminho) que são especiais de uma certa forma.
Acredito não só na pressa,a vida de uma certa tende a ser dura as vezes e nos faz olhar para as coisas como se elas não tivessem mais brilho etão ignoramos todo o resto.